{"id":10207,"date":"2012-08-03T15:41:00","date_gmt":"2012-08-03T15:41:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T00:00:00","slug":"4270-revision-v1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindojus-to.org.br\/index.php\/2012\/08\/03\/4270-revision-v1\/","title":{"rendered":"OFICIAIS DE JUSTI\u00c7A- EVOLU\u00c7\u00c3O OU EXTIN\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sendcard.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/OFICIAIS_DE_JUSTI\u00c7A-_EVOLU\u00c7\u00c3O_OU_EXTIN\u00c7\u00c3O.jpg\" alt=\"OFICIAIS DE JUSTI\u00c7A- EVOLU\u00c7\u00c3O OU EXTIN\u00c7\u00c3O\"><br \/>\nConsidero-me especialmente afortunado por estar vivendo esta \u00e9poca de tantas transforma\u00e7\u00f5es sociais e tecnol\u00f3gicas. Meus antepassados levaram a vida toda para vivenciar altera\u00e7\u00f5es em seu mundo que eu pude observar em semanas.<\/p>\n<p>\t\u00c9 como se estivesse viajando em uma m\u00e1quina do tempo supers\u00f4nica, olhando pela janela e vendo as mudan\u00e7as na hist\u00f3ria. Assim, h\u00e1 pouco est\u00e1vamos fazendo curso de datilografia para buscar um emprego, e alguns dias depois, usando um computador port\u00e1til. Trabalhei em um torno mec\u00e2nico, m\u00e3o na graxa, oficina suja e barulhenta; pouco depois estava no ar condicionado programando o torno controlado por computador, com mais conforto e melhor sal\u00e1rio.<\/p>\n<p>\tA evolu\u00e7\u00e3o tem sido a regra, tanto na natureza quanto na economia e no mundo empresarial aquele que n\u00e3o se adapta aos novos tempos, que n\u00e3o evolui, se extingue. Conheci telefonistas em empresas, operando central telef\u00f4nica de pegas, hoje foram substitu\u00eddas por discagem direta a ramal; tamb\u00e9m conheci desenhistas copistas, que passavam o dia na prancheta. Aqueles que aprenderam a utilizar programas de CAD mantiveram seus empregos e at\u00e9 passaram a ganhar mais, enquanto os que n\u00e3o evolu\u00edram foram embora.<\/p>\n<p>\tVi fordismo, taylorismo, CQC, Kambam, QT, Zero defect, 5S, Just in time, e tantos outros m\u00e9todos administrativos de gerenciar a produ\u00e7\u00e3o nas empresas que chegava a ficar assustado com a necessidade de aprender, de me reinventar, de evoluir para n\u00e3o ser tragado pelas inova\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\tA evolu\u00e7\u00e3o (ou revolu\u00e7\u00e3o) tecnol\u00f3gica tamb\u00e9m vem ocorrendo no servi\u00e7o p\u00fablico, no judici\u00e1rio trabalhista da 15\u00aa. Quando aqui comecei, em uma Junta de Concilia\u00e7\u00e3o e Julgamento, havia dois microcomputadores na secretaria, um para notifica\u00e7\u00f5es, outro para todo o resto. As atas de audi\u00eancias e as senten\u00e7as ainda eram datilografadas&#8230; Hoje sistemas de inform\u00e1tica controlam a auxiliam uma maior produtividade. Novas ferramentas foram implantadas e trabalhos antes morosos, ma\u00e7antes, hoje s\u00e3o feitos num piscar de olhos pelo computador, pela impressora. Essa evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 um pouco mais lenta do que se observa na iniciativa privada, mas \u00e9 constante, sem possibilidade de retrocesso. N\u00e3o adianta reclamar do sistema de acompanhamento processual informatizado com saudades do kardex, que esse n\u00e3o volta mais&#8230;<br \/>\n\tAlguns bravos guerreiros ainda resistem a essas inova\u00e7\u00f5es, alguns lutando contra elas tal qual Quixote e seus moinhos de vento. Mas talvez seja hora de mudar, de parar de lutar contra a corrente, e surfar nela. Explico.<\/p>\n<p>\tH\u00e1 quinze anos, quando iniciei no Oficialato, recebia semanalmente v\u00e1rios Mandados de penhora em contas banc\u00e1rias de devedores. Alguns com ag\u00eancia e conta identificada, outros com a determina\u00e7\u00e3o de ir a todas as ag\u00eancias da cidade (havia apenas oito ag\u00eancias, ent\u00e3o era poss\u00edvel). E l\u00e1 ia eu bater de porta em porta, perguntar se fulano tinha conta, e se nela tinha dinheiro. Horas caminhando ao sol, espera de atendimento, discuss\u00e3o com funcion\u00e1rio na aus\u00eancia do gerente, dificuldades mil, e de vez em quando conseguia apreender dinheiro e pagar uma ou outra execu\u00e7\u00e3o. Era comum o sujeito ter empresa numa cidade e domic\u00edlio banc\u00e1rio em outra, se livrando da penhora. Veio o conv\u00eanio de bloqueio banc\u00e1rio, nunca mais fiz penhora em banco. Mas as penhoras continuaram a ser feitas, sei l\u00e1 por quem, Juiz, Diretor, Assistente, mas n\u00e3o por mim. Antes s\u00f3 eu fazia penhora, agora tem outro fazendo em meu lugar.<\/p>\n<p>\tDa mesma forma era comum pegar mandado de cita\u00e7\u00e3o e penhora, ia ao devedor, citava e se n\u00e3o pagasse nem garantisse a execu\u00e7\u00e3o, penhora nele. Come\u00e7aram a citar o devedor atrav\u00e9s da intima\u00e7\u00e3o de seu advogado pela Imprensa Oficial, e n\u00e3o fiz mais cita\u00e7\u00e3o, eis que agora tem outro fazendo em meu lugar.<\/p>\n<p>\tE foi mais al\u00e9m. Vez em quando ia \u00e0 Ciretran pesquisar se havia algum ve\u00edculo no nome do devedor e de posse da informa\u00e7\u00e3o positiva, penhora nele. Agora o Mandado vem s\u00f3 para avaliar o ve\u00edculo, que j\u00e1 foi penhorado (ou bloqueado, como queiram, d\u00e1 no mesmo). Como n\u00e3o fui eu quem penhorou, algu\u00e9m fez em meu lugar.<\/p>\n<p>\tE vir\u00e1 mais, muito mais. A cada novidade tiram algum servi\u00e7o de mim, e passam para outro. At\u00e9 quando? At\u00e9 n\u00e3o restar mais nenhum trabalho para eu fazer? Mas e a\u00ed, que farei eu, Oficial de Justi\u00e7a?<\/p>\n<p>\tEm alguns lugares essa pergunta j\u00e1 est\u00e1 sendo respondida; h\u00e1 v\u00e1rios Oficiais atendendo balc\u00e3o, batendo carimbo, juntando peti\u00e7\u00f5es, fazendo servi\u00e7os mec\u00e2nicos de pouca complexidade, pois os seus trabalhos agora s\u00e3o feitos por outros&#8230;<\/p>\n<p>\tQuando essas novidades come\u00e7aram ouvi alguns dizerem que n\u00e3o queriam essas \u201cnovas\u201d atribui\u00e7\u00f5es. Eles n\u00e3o entendiam que n\u00e3o eram novas atribui\u00e7\u00f5es, mas as antigas, com um jeito novo, nome novo, cara nova, mas a mesma ess\u00eancia das velhas.<\/p>\n<p>\tO que difere uma penhora banc\u00e1ria como as que faz\u00edamos, com exibi\u00e7\u00e3o do Mandado, Auto lavrado, nomea\u00e7\u00e3o do gerente como deposit\u00e1rio, determina\u00e7\u00e3o da transfer\u00eancia para o banco oficial, e o m\u00e9todo atual, em que se entra na conta do sujeito pela via eletr\u00f4nica, faz o bloqueio e determina a transfer\u00eancia? A diferen\u00e7a \u00e9 que antes tinha que ir de ag\u00eancia em ag\u00eancia, e s\u00f3 na minha cidade, e agora o bloqueio pode ocorrer em qualquer conta que o devedor tenha no territ\u00f3rio nacional. Menos trabalho e mais efetividade. E eu que fazia penhora banc\u00e1ria agora n\u00e3o tenho acesso ao sistema com minha senha pr\u00f3pria para fazer o bloqueio. Por qu\u00ea?<\/p>\n<p>\tEu n\u00e3o quero ser extinto, n\u00e3o quero ver minha fun\u00e7\u00e3o, meu cargo, minha profiss\u00e3o confinada aos livros de hist\u00f3ria. Eu quero continuar sendo Oficial de Justi\u00e7a Avaliador Federal, e quero que minha profiss\u00e3o continue a existir e a ser respeitada muito depois que eu me for&#8230;<\/p>\n<p>\tPara isso preciso evoluir e estar preparado para enfrentar os novos desafios que a evolu\u00e7\u00e3o da minha profiss\u00e3o j\u00e1 trouxe, e que certamente trar\u00e1 mais ainda.<\/p>\n<p>Charles Agostini \u00e9 oficial de Justi\u00e7a do TRT da 15\u00aa regi\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Considero-me especialmente afortunado por estar vivendo esta \u00e9poca de tantas transforma\u00e7\u00f5es sociais e tecnol\u00f3gicas. 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